Dia 11.01.13 – Brisbane
Aqui, o hotel tinha café incluído. Estamos conhecendo melhor a comida australiana: ovos, bacon, panquecas, mingau de aveia, feijão...
Há muitas lojas aqui e, no calçadão da Queen St., os meninos ficaram loucos com a maior loja de brinquedos que já vimos, lotada de aviões para montar. Foi um estrago!
Tem muitos passeios próximos, mas optamos por ficar na cidade hoje e pegamos o ônibus city sights (35 AUD p.p), que dá uma visão geral da cidade.
Almoço no Streets Bank, onde tem várias lojas e uma lagoa com areia de praia, meio "piscinão de Ramos", lotada.
Seguimos a pé até o Museu Marítimo e, como fecharia em duas horas, o Guinho não pagou. Foi legal, mas percorremos o circuito em meia hora.
Buzão de novo, mais uma andadinha no centro e não resistimos a um Kebab (em outras palavras, churrasquinho grego, com carne de carneiro) - há muitos por aqui e o cheiro era ótimo. Foi bom.
Os asiáticos em geral invadiram Brisbane e aqui é um pouco mais fácil beber uma cerveja no restaurante.
Fomos tomar um banho, mas o cansaço e o fuso contribuiram para um apagão.
Dia 12.01.13 – Bundaberg - 400 km
Pegamos a estrada um pouco tarde hoje, quase as 10h. Seguimos em direção ao norte, pela Sunshine Coast. Novamente, a estrada não margeia o mar, como aparenta no mapa, e, para ter acesso à praia, é preciso entrar em alguma cidade.
A rodovia é muito boa, com trechos duplicados, sem pedágio, mas a velocidade é limitada a, no máximo, 110km/h e não se pode andar mais que isso. Eles respeitam mesmo, salvo alguns caminhões malucos que passam correndo. Há postos pelo caminho, com estrutura (em vários tem Mc Donnald´s).
Paramos em Nossa Heads, um balneário famoso. A praia é muito bonita, água agradável... Difícil, contudo, perto das nossas mordomias, pois não há barracas na praia, nem bebida. Há muitos hotéis e restaurantes e, depois do almoço, seguimos para Bundaberg.
Eu queria muito conhecer a Fraser Island, a maior ilha de areia, com praias lindas e lagoa, mas iria apertar o roteiro... A prioridade é conhecer a Grande Barreira de Corais, prevista para depois de amanhã.
Chegamos no final do dia e, pela primeira vez, a reserva feita hoje no almoço pelo site hotels.com não deu certo: chegamos e a recepcionista (indiana) não achava e levou mais de meia hora para resolver.
Saímos para jantar e, depois de andar um pouco para evitar fast food (não faltam Mc Donnald´s, KFC e outros), paramos no Silkers. Escolhemos a carne (que por aqui é comum e boa), com buffet de saladas e sobremesa. Por incrível que pareça, vários restaurantes fecham por volta das 21h30 e umas três funcionárias vieram perguntar se queríamos mais algo do buffet, até que veio a gerente e perguntou se queríamos um containner para levar a sobremesa.... Risos mil...
Dia 13.01.13 – Rockhampton – 330km
Saímos
de Bundaberg por volta das 8h00, após abastecer e comer umas “pies” (eu amei
essas tortinhas, com recheios variados). Nosso carro está fazendo quase 13km/l
e o combustível sai a 1,46 AUD/l (sempre no estilo self service).
Após
40 km, passamos por Gin Gin (tem vários hotéis e motéis – não precisava ter
desviado a rota) e seguimos até Gladstone, pela Pacific Hwy – rodovia boa, mas
com muitos trechos em obra, tornando lenta e mais cansativa a viagem. Há
policiais com radares ao longo da rodovia e precisamos manter os 100km/h. Pelo caminho, casas em estilo muito inglês,
de madeira, com sacadas trabalhadas, muito eucalipto ao longo da rodovia e
várias propriedades com gado angus e também começamos a ver nelore.
Paramos
em Gladstone para o almoço - no calor escaldante do domingo, parecia uma cidade
fantasma, com restaurantes fechados e ruas desertas. Achamos uma Steak House
aberta, Queen´s, junto ao hotel do mesmo nome, na frente do Quality Inn – muito
boa.
A
cidade deveria ser litorânea, mas não dá para ver a praia, só porto cheio de
containers.
Seguimos
até Rockhampton - a capital da carne australiana. Chegando, paramos no ponto de
informação turística do Lions, com voluntários idosos (já vimos vários voluntários
assim, em locais variados, até no Zoo). No almoço do dia anterior, reservamos o
Traverlodge (por 100 AUD a diária – valeu muito a pena, pela localização).
Não
dava para aguentar o sol e esperamos um pouco para sair. Nessa região menos
turística, não dá para sair muito tarde porque o jantar é das 18 às 21h!!!
Fomos
ao Bush Inn, um pub perto do hotel, Steak House, bem típico: você entra, a
garçonete te acompanha até a mesa com o cardápio; depois, vc. vai até o balcão
da cozinha, pede o prato, paga e espera na mesa. Vai ao bar, pega as bebidas,
paga e vai para a mesa (se quiser beber mais de uma cerveja, precisa repetir o
procedimento) --- não imaginava que ser atendida por um garçom fosse tanta
comodidade!! Fiquei impressionada ao ler JBS e Friboi no cardápio. Que orgulho,
eles têm parceiros australianos!! Estamos na avenida em frente ao Rio e o
barulho das aves nos eucaliptos é marcante.
Outra
descoberta: quando o pub é só bar, não se pode entrar com criança, mas quando
tem restaurante, separado da área do bar, tudo bem.
Dia 14.01.13 – Rockhampton (finalmente,
a Grande Barreira de Corais)
Seguimos
para o Pier One, em Rossylm Bay, de onde partia o Ferry para a Great Keep
Island, às 10h30, e precisávamos chegar meia hora antes. O GPS está sendo
essencial na viagem e chegamos com folga. Reservei por telefone no dia
anterior, mas estava bem tranquilo e, de estrangeiros, só nós e um casal
alemão.
O
Ferry saiu pontualmente, mas não entendemos as explicações do passeio porque eles
falam rápido. Resolvemos seguir as pessoas que tinham pulseirinhas rosas como
as nossas. Deu certo!! Desembarcamos na ilha e logo entramos em uma embarcação
pequena, com fundo de vidro.
O
passeio na grande barreira de corais foi legal, avistando os corais variados –
é impressionante a diversidade de vida no fundo do mar – alguns peixinhos,
arraias e tartaruga gigante! No entanto, aquela coloração de fotos ficou só na
propaganda...
No
dia a dia, estamos achando que veio daqui aquela expressão “para inglês ver” –
carne aqui, para inglês ver (eles fritam até amargar e cobrem de molho,
principalmente BBQ - barbecue); vinhos de qualidade, para inglês ver (são
razoáveis, com tampas de rolha, sem muita história); praia, para inglês ver
(águas translúcidas, cheias de perigos – com exceção de Sydney, as praias por
aqui são desertas); coala e canguru no colo, para inglês ver (não se pode tocar
nos animais – se pagar uns dólares extras, pode chegar mais perto); recife de
corais multi colorido e cheio de peixinhos, para inglês ver.....
Nosso
passeio incluía BBQ, expressão muito usada por aqui – foi uma surpresa boa
porque não tinha entendido nada.... Na prática, era pão francês com um misto de
salsicha e linguiça, cebola e molhos.
Após
o lunch, mergulho com snorkel na
barreira de corais. Levamos nosso equipamento, mas os 6m de profundidade onde o
barco parou desanimaram um pouco.
O Rô
e eu até entramos na água, em volta do barco, mas o Guinho não quis entrar e sugeriram
nos levar de bote até a praia, onde tivemos um incidente.
Incidente
pela Gi:
Parece
uma coisa. Estávamos em menos de 20 pessoas no passeio e quase todos pularam na
água e foram nadar no recife, cerca de 50 m do barco. Quando o Rô pulou na
água, achou muito funda e parecia que puxava para baixo. Entrei só em volta do
barco e achamos estranho deixar o Guinho sozinho, que não quis entrar. O rapaz sugeriu nos levar até a praia e fomos
de bote. Á água é impressionantemente cristalina, com temperatura muito
agradável. O Guinho disse ter visto uma cobra e ficamos na beira da praia
observando os restos de corais e conchas trazidos pelo mar. Entrei devagar na
água e vi uma água viva diferente, em formato de pera invertida. Chamei o Rô,
que logo avistou outra e saímos da água. Caminhamos um pouco e insisti em
entrar na água. Fui entrando e dei um mergulho. Estava com a água na cintura
quando olhei e vi algo vindo em minha direção. Pensei que fosse um peixe grande,
mas achei estranho o deslocamento de água reto, quando as ondas estavam para a
esquerda, muito rápido. Gritei o Rô, perguntando “o que é isso” e fui saindo da
água, até que “a coisa” desviou. Graças a Deus! Sinceramente, não sei o que
era. Da praia, em um plano um pouco mais alto, os meninos juram ter visto um
tubarão. No dia seguinte, andando na cidade, parei quando vi a manchete do
jornal: avistaram um tubarão tigre com 5,5m no dia anterior, na Costa
Capricórnio, onde estávamos, na praia Emu, cerca de 5km da praia em que entrei.
No dia anterior, tinha visto uma manchete sobre ataques de tubarão, noticiando
a atuação da patrulha da guarda costeira, mas só depois do susto fui ler as
estatísticas e perceber que o maior número e os maiores tubarões foram
localizados nessa região.... Os guias riram e brincaram que só tinha crocodilos
por ali... É, dá para agradecer bastante
e refletir outro tanto.
O
incidente, pelos meninos (as testemunhas oculares escreverão
depois).
PS: no Brasil, foi veiculada uma matéria no Jornal Nacional, dias depois, sobre ataque de tubarão na Austrália....
Bom,
já que terminou tudo bem, pegamos outra prainha na parada principal da Ilha –
com mais gente na água (pode ter contribuído o fato de, na hora do incidente,
eu estar sozinha em uma praia deserta, pois os outros do grupo estavam em alto
mar, no recife) e voltarmos à terra firme. Paramos em uma Bunnings (tipo
C&C, gigante) para pegar umas coisinhas que os meninos precisavam para continuar
a montagem de aviões (hábito noturno) e formos para o hotel.
Depois
do banho, fui ao supermercado Coles com o Guinho (rede grande por aqui). Como
prêmio, além do final feliz na praia, no verso do cupom fiscal tinha propaganda
do restaurante do hotel e, com o cupom, ganhamos um dos pratos no jantar que, ainda, tinha padrão
internacional. Finalmente, estamos conseguindo comer bem porque, até agora,
está difícil comer saudável: muita fritura (qualquer coisa vem com batata frita
e, nisso, eles são bons), molhos até nas saladas!
Dia 15.01.13 – Rockhampton
Resolvemos
ficar mais um dia, para conhecer a cidade. Tinha disponibilidade no hotel e,
por $5 a mais, foi incluído o café da manhã.
A
cidade é legal e lembra muito algumas cidades da Argentina, com ruas amplas,
construções antigas, casas de madeira e roupas demodê; os biquínis tem
franjinhas. Paramos em uma loja de caubóis e também tem várias lojas de
equipamento para montaria, para pesca, caça e camping, com equipamentos muito
legais. O Rô comprou uma bota de caubói!
Fomos
até a Koorana, uma fazenda de crocodilos, para almoçar e chegamos às 13h10, mas
a funcionária disse que o restaurante fechava às 13h00. Sem choro nem vela,
voltamos os 40 km até a cidade e, quando estávamos quase indo ao Mc Donnalds
porque vários restaurantes não abriam para o almoço, resolvemos conferir o
restaurante do hotel e, bem no centro, achamos o Outback Jack, ótimo bar e
restaurante, bem típico, com garçom (!), cerveja e boa comida. Comemos uma
costelinha de porco deliciosa.
A
noite, deixamos a chuva fina de lado e fizemos um BBQ no hotel e, então,
comemos uma boa carne bovina e de carneiro, feita pelo Rô. Já reforçamos o
estoque de água, sucos e lanchinhos para encarar os 700km de amanhã, pelo
outback australiano.
Ah,
uma coisa interessante: as tomadas precisam ser ligadas. Tem um botão em cima,
como o interruptor de luz, e demorei testando várias até que percebi o que
faltava...
Outra
descoberta: inúmeros restaurantes abrem às 17 ou 18 h para o jantar e fecham às
21h!! Muito diferente dos nossos horários. Os australianos dessa parte são mais
amáveis.
Dia 16.01.13 – Longreach – 690km
Acordamos
cedo, mas até tomar café e preparar as coisas, pegamos a estrada às 8h. A
rodovia é boa, de pista simples, com pouco movimento se comparada às nossas, só
que com vários trechos em obra, paradas e demora. Quando fica tudo liberado
para a “rodagem”, há radares no meio do nada e muitos cangurus atropelados nas
margens, forçando manter os 100 ou 110km/h.
Há
cidades pequenas no caminho, estilo Radiator Spring: parece cenário, com
algumas casas, motéis, mercadinho. Paramos em Bluff e pegamos uma tortinha de
carne. O Guinho mandou uma Fanta Frozen (aqui, é muito comum refri frozen – que
inventança!!).
Paramos
para abastecer em Emerald, cidade famosa pela exploração de pedras preciosas,
com vários postos, Mc Donnalds e outros restaurantes, mas, como ainda não
tínhamos andado nem a metade do trecho, seguimos viagem.
Paramos
em Alpha às 13h30 e não achamos restaurantes. Na padaria, há somente pães e
bolos. Pegamos um e fomos ao mercadinho, comprar frios e frutas para um lanche
na área de descanso (tem mesa, torneira, banheiros limpos).
A
partir de Emerald, o movimento da estrada diminui consideravelmente e a estrada
continua boa. Alguns caminhões road
train (o equivalente a um bitrem que puxa quatro carrocerias) circulam por
aqui.
A
paisagem também mudou, lembrando nosso cerrado: vegetação baixa, poucas árvores
retorcidas e pasto com gado, a maioria angus.
Chegamos
em Longreach às 16h30 e, logo na entrada, fica o museu da Qtans. Desci e, como
fechava às 17h00, o Guinho e o Rô correram para aproveitar. A estrutura é muito
boa.
Saímos
para procurar o Albert Park Mottor Inn (daqueles que tem uma garagem para o
carro na frente do quarto), que tinha reservado pelo booking.com, e fica bem na
frente do museu.
Fomos
conhecer a cidade, uma verdadeira Radiator Spring melhorada. Parece que estamos
em um cenário do velho oeste. Aqui no outback, acabaram os fast foods (salvo o
fish and chips) e, no cardápio, muita carne. Paramos no Eagle East e jantamos às 18h30
(horário de maior movimento no restaurante!). O dono ficou muito animado de ver
brasileiros e a falta de fluência na comunicação atrapalha um pouco a conversa.
Amanhã,
seguimos para Mount Isa.
Por
incrível que pareça, a internet não é tão fácil. No hotel, só tem na recepção
e, quando fui postar, depois de um banho, às 9h45, já estava tudo fechado.... Hoje, pela manhã, consegui falar pelo skipe com meus pais e com a sobrinhada... Foi muito bom. As fotos ficam para depois, pois o Rô está no carro, de cara feia!!!!
17.01 – Mount Isa – 650km
Pegamos
a estrada às 8h30. Há placas indicando cangurus na rodovia e, nesse trecho,
havia tantos atropelados que resolvemos marcar um trecho de 30km e contamos
53!! Graças a Deus, não vimos nenhum vivo e deu para entender porque as
camionetes e carros têm tanto quebra mato e faróis de milha. Vimos emus,
casuais e muito gado.
Pista
simples, mas tranquila, sem muito movimento, e o Rô já acostumou bem com a
direção do lado direito. Paramos em Winton para abastecer e, conforme diminui o
número de postos, o valor do combustível sobe. É difícil manter os 110km/h. Em
MacKinlay, parada para sanduíche (tem posto e motel).
Com
calor de 35º, chegamos em Mount Isa às 16h00. Tínhamos reserva no Motel Central
Park e, mesmo não gostando muito do quarto, não dava para perder o valor.
Aliás, hotéis e motéis por aqui são bem caros para nosso padrão. A média é de
150 AUD para locais simples, com carpetão e cortininha de plástico no box
(estilo argentina), às vezes sem café. Nos motéis, eles trazem uma bandejinha
na noite anterior, com suco, leite, cereal e pão de forma com manteiga para a
manhã seguinte.
Mount
Isa é cidade industrial, a base de mineração, e sede do rodeio mais famoso da
Austrália. Não é muito bonita e, juntando a cidade feia e o cansaço, pegamos
comida pronta para comer no quarto (vários motéis tem uma mini cozinha, com micro-ondas
e frigobar).
Dia
18.01 – Tennant Creek – Overlander´s Way – 650km
Na rodovia
às 8h00, abastecidos (pegamos o carro com 1.720k e o odômetro já marca 5.015km –
o vidro da frente ficou com um trinco, no mesmo dia do incidente do “shark”).
Estrada
tranquila até Comooweal, último ponto de apoio nos próximos 290km. Poucos
quilômetros depois da cidade, placa sinalizando a entrada no Northern Territory
- NT (limite com Queensland) e, quando vimos a placa permitindo 130km/h, mal
acreditamos. A viagem rendeu um pouco mais e o calor foi atenuado por uma chuva
fina.
O asfalto
é ótimo, pista simples e cruzamos com road trains (alguns tem mais de 50m!!),
camionetes e carros. Pelas placas, essa estrada tem trechos de alagamento no
período das chuvas e, às vezes, até fecha.
Parada
em Barkly Homestead: local típico, limpo, comida boa, souvenirs, a 433km de
Mount Isa. O Guinho ficou impressionado com os aborígenes, que começamos a ver
nessa parte do país.
Chegamos
com tranquilidade em Tennant Creek e paramos no Safari Lodge Motel (há mais uns
cinco na pequena cidade): mais um carpete para repetir “Guinho, para de pular;
olha a alergia”. Quando o Rô começa a espirrar, ele para. Pelas ruas, muitos
aborígenes.
Cruzamos
hoje a Black Zone, assim conhecida porque é um trecho sem muito movimento, sem
postos e sem sinal de celular. Fiquem tranquilos porque, apesar da falta de
informação nas pesquisas, fomos conversando com pessoas daqui, inclusive duas
famílias de Darwin, extremo do NT (Northern Territory), que só alertaram para
os cangurus, combustível e carga extra de alimentação e água mineral.
Esqueci
de falar que, na Austrália, é muito comum servirem água em garrafas de vidro
nos restaurantes e, como não vinha na conta, descobri que era da torneira. Eles
estranham quando pedimos Spring Water, que é a mineral (chega a custar 5AUD nos
postos a garrafa de 1,5l e cerca de 2AUD nos mercados).
Não se preocupem com as aventuras porque, a partir de amanhã, os trechos são muito turísticos!!
Um
detalhe: ao escolher o motel, vi vários carrões parados e pensei: é aqui que as
famílias ficam. Depois, percebi que havia uma locadora de veículos ao lado, que
deixava os carros lá. Só tinha mais um hóspede...
Por
sugestão da dona do motel, fomos ao Memorial Club. Como teve um novo fuso,
reduzindo meia hora (são 12,5h do Brasil), chegamos às 18h00 e às 18h40 não tinha
mais mesa. Acho que foi a melhor opção na cidade e agora estamos definindo o
cardápio daqui: cortes de carne bovina, carneiro e às vezes porco com batata
frita; também inclui pratos a base de peixe, com muita influência asiática. Havia
alguns jovens aborígenes e crianças parecendo adotadas por famílias de pele
muito clara. Por aqui, tem chamado a atenção o excesso de peso dos australianos
mais velhos. No mesmo ambiente, tem a divisão
do bar, com piso frio, e carpete no restaurante: o Guinho já sabe que ele só
pode entrar no carpete!
Aqui,
continua o mesmo hábito: vc. escolhe a comida, paga. Vai ao bar, escolhe a
bebida e paga. As vezes, alguém serve na mesa, mas na maioria das vezes tem um
monitor com bip e, quando acende a luz e faz barulho, vc. busca a refeição.
Apesar de termos estranhados, é bom saber que não tem que pedir conta e, por
aqui, não há 10%.
Dia 19.01.13 – Alice Spring – 508 Km
Estrada
ótima, a 130km então, fica melhor. O vento forte e o aumento na velocidade
diminuíram a média do carro, mas estamos indo bem e não vimos mais cangurus
atropelados; cruzamos com poucos veículos e camionetes. No trecho, havia apenas
três paradas, mas não cidades, só um posto com bebida, comida (muita fritura,
como linguiça, frango empanado) e combustível, ainda que mais caro (chega a
1,99/l), além das “rest áreas” para parada e descanso (não tem acostamento).
A 100km, Devil´s Marbles: penedos
esféricos de granito vermelho, produto da atividade geológica há 1,7milhões de
anos, bem próximo da estrada.
Nova
parada na Wyclife Well, considerada a capital de UFO (ET´s) da Austrália. Em
Ti-Tree, colocamos 20AUD de gasolina, para tranquilizar a chegada.
Cruzamos
novamente o Trópico de Capricórnio e há um marco na estrada, sinalizando a
divisa entre Darwin e Adelaide (norte e sul da estrada). Na chegada em Alice
Spring, no carro estava tocando I´ll survive!!! (aqui foi filmado Priscila, a
rainha do deserto).
Havia
reservado na noite anterior o hotel Ibis Styles All Seasons, por 109 AUD, e foi ótimo:
quarto reformado, com carpete de madeira, a 15minutos de caminhada do centro.
Como
chegamos no hotel às 13h45 e, por aqui, os almoços costumam ser até as 14h, já
pedimos o que tinha disponível: lanche com batata. Estava ótimo e tinha
beterraba junto com o hambúrguer!
Fomos
conhecer o Reptile Centre e valeu a pena porque eu e o Guinho seguramos uma
cobra Olive Python (deu muito frio na barriga) e lagartos. O centro é pequeno,
mas bem organizado e deu para ver o Terry, um enorme crocodilo de 21 anos.
Jantar
no Red Ochre Caffe, na Todd Mall. Estou provando todos os porc ribs que
encontro nos cardápios... Os restaurantes do outback sempre tem cardápio kids,
com várias opções, bem mais econômicas.
Dia 20.01.13 – Alice Spring
O
café continental estava incluído, mas só havia chá e nescafé. O Rô pediu um
expresso e falou o número do nosso quarto, em inglês, 42: o garçom entendeu “for
two” e trouxe um expresso para mim. No almoço, eu tinha pedido uma cerveja, uma
coca e uma água tônica. Ele foi lá e pediu “another”. O cara providenciou mais
um de cada!!
Pela
manhã, fomos conhecer o Desert Park, a 6km da cidade, que representa bem a
fauna e flora da região desértica, com explicações sobre como os aborígenes
(muito comuns por aqui, mas dá impressão de que eles são marginalizados)
sobrevivem no deserto, a base de frutos e caça de cangurus. Apesar do sol de 39º
(mas seco, diferente do Brasil), valeu a pena entrar nos aviários, ouvir os
pássaros, observar os animais de hábito noturno e, ainda, andar entre os
cangurus vermelhos.
Almoçamos
na cidade, em um autêntico Saloon, na Todd St: Bojangles e, como tinha
restaurante, o Guinho pode entrar. Mais um porc ribs e cerveja a vontade. As
porções são bem servidas.
Aproveitei
para reservar o hotel de amanhã, no Uluru, em uma agência próxima. Uma
passadinha básica no mercado para garantir o estoque de água e gatorade e
jantinha no hotel.
Algumas
observações sobre os australianos: os homens andam de short ou bermuda,
inclusive para trabalhar; o Mc Donnald´s é conhecido como Macaa´s; Austrália é
conhecida como Aussie; as pessoas tem muitas tatuagens, em partes inusitadas do
corpo; área do bar separada do restaurante; rolinhas com topete, igual a
calopsita; parece que não há tanta mistura racial, como no Brasil, pois vimos
muitos australianos descendentes dos ingleses, bem claros, asiáticos, indianos
e aborígenes.
MOTEL: é um lugar só para dormir, sem restaurante e sem estrutura de hotel. Nada a ver com nosso conceito.
Dia 21.01.13 - Uluru (Ayers Rock) - Kata Tjuta (The Olgas) - 450km
O odômetro já marca 6.188km e saímos de Alice Spring com calma, apreciando a vista dos Mac Donnalds Rangers - a cidade estava vazia. Estrada muito boa, a 130km/h na principal, que acompanha a ferrovia norte/sul, e 110 na secundária, após Erlunda - o trecho fica mais cansativo e, embora esperássemos mais movimento, a estrada estava bem parada.
Há opção para seguir até o King Canion por terra, mas não desafiamos a exigência de 4x4.
Cerca de 50km antes, achamos ter visto o Uluru, que se destaca como um monolito na planície desértica), mas era o Mt Connor, lindo!
No caminho, não há muitas paradas e preferimos garantir um "lunch" (acho que tem esse nome porque é isso mesmo) em Curtin Spring - cheesburguer com cebola frita, salada e beterraba, além de muita batata frita.
Para hospedagem, há uma vila resort em Yulara, com opções luxuosas até camping. Reservamos o Outback Piooner Hotel & Lodge, com banheiro privativo, e fomos assistir ao por do sol no Uluru, que muda de cor conforme recebe os raios de sol.
O conceito de resort é bem diferente do Brasil: tem uma boa estrutura, mas o quarto é relativamente simples (carpete, óbvio), piscina, várias opções de restaurante, BBQ e não acreditamos quando vimos uma cozinha para hóspedes, com fogão industrial. Tem supermercado no resort, com preços da cidade, e, claro, matamos a vontade com uma boa comida: lamb (carneiro) com salada e massa para o Guinho. Vários orientais usaram a cozinha, mas o cheiro bom mesmo veio do grupo de italianos. Há gente de toda parte do mundo por aqui e, além da cozinha dos hóspedes, há uma área de churrasqueiras (que parecem nossas chapas) em que se compra a carne e vc mesmo prepara a carne.
Dia 22.01.13 - Uluru
Acordamos tarde pois estava nublado e chuviscando. Café no quarto (no hotel, "no food" - nenhum tipo de refeição é incluída) e fomos até o Parque Nacional, bem perto. A entrada )25AUD p.p) dá direito a três dias de parque.
Conhecemos o Centro Cultural, contando a história do povo Anangu, que vivia aqui, mas não se pode tirar fotos. Depois, contornamos o Uluru de carro e fizemos uma trilha leve a pé. Há muitas advertências sobre os riscos de desidatração e a subida ao cume não é permitida. O Uluru é considerado sagrado para os aborígenes e há trechos restritos, em que não se pode chegar ou não se pode fotografar. O artesanato local é bonito, mas bem caro.
Fomos até Kata Tjuta (Olgas) e voltamos para almoçar na cozinha dos hóspedes: um bom french rib com salada, para não atrapalhar a piscina. Por incrível que pareça, no almoço só a lanchonete do hotel fica aberta. A noite, retornamos à cozinha. Ao lado, na área do bar, música ao vivo, que se estende até umas 22h30.
Dia 23.01.13 - Coober Pedy - Explorer Hwy -
Saímos às 8h00, abastecidos (nessa região, a gasolina está custando 2AUD/l). Paramos em Erlunda e repetir o trecho torna a viagem bem cansativa. É engraçado porque, na estrada, parece que não se vê ninguém, mas quando se para nos postos, os carros começam a parar.
Logo depois, deixamos o Northern Territory e entramos no South Australia, alterando o fuso em 1h. Paramos em Marla para almoçar e, quando vi um frango assado, não acreditei: pedi logo e foi a mulher quem estranhou a gente comer um frango no restaurante. Vai entender!!!
Nas divisas de territórios, há placas advertindo sobre a "quarentine": restrições quanto a entrada de frutas e vegetais de uma região para outra. Não pegamos nenhuma fiscalização, mas achamos melhor não dar bobeira.
A estrada continua boa e bem tranquila, com menos movimento que na chamada zona negra. Há placas escritas em asiático (não sei diferenciar a escrita japonesa da chinesa, tailandesa ou coreana), mas português por aqui, nem pensar. Aos lados, só pasto muito seco e nada de gado ou lavoura.
Quase 50km antes da cidade, avistamos as minas de opala. Coober Pedy é famosa pela mineração de opala e há muitas placas advertindo sobre os perigos de buracos no solo, por conta da mineração. Há muitas casas, restaurantes e hotéis subterrâneos (a cidade é pequena, mas tem pelo menos 7 opções de hospedagem). Aqui, não fizemos reserva e estamos no melhor da cidade: Desert Cave Hotel. Nosso quarto é subterrâneo, sem janelas, muito legal.
Saímos para ver o por do sol nesse deserto, com cores lindas, já passada das 20h, e voltamos para jantar no hotel, com restaurante de padrão internacional e tratamento impecável.
Parte "social" do hotel:
Amanhã, seguiremos para o Valle Clare, região vinícola perto de Adelaide. Alteramos os planos e decidimos excluir Melbourne e a Tasmânia, porque gostamos demais do Red Centre e ficamos dias a mais que os previstos.