segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

12o dia - Começando o Ano, com muita Fé (Salmos, 23)


01.01.12 - Após um excelente café da manhã no Costa Atlântica Hotel, saímos para Barreirinhas. São Luís é relativamente fácil para andar. Pegamos a BR 135 até Bacabeiras, de onde parte a rodovia MA 402 para Barreirinhas, no total de aproximadamente 250 km, a maior parte com boa pavimentação, mas o trecho foi demorado porque tem muitos povoados, com lombadas e curvas. As casas do caminho são muito simples, a maioria de barro (adobe).




Paramos no Posto Omega, logo na entrada, por volta das 15h00, famintos, e almoçamos no restaurante Parceria da Brasa, no pátio do posto. Provamos o tradicional arroz de cuxá (feito com uma vinagreira, tipo de erva, tomate, camarão seco e coentro, comum no Maranhão), com peixe assado.  


Os passeios tradicionais para os Grandes Lençóis partem as 9h00 e as 14h00 e usam uma toyota bandeirante. Os passageiros vão atrás. Na verdade, nas estradas do Maranhão, vimos muitos veículos parecidos, só que transportando pessoas, conhecidos como jardineiras (parecidos com nossos antigos paus de arara). Para turista, colocam almofadas ou mesmo bancos. Como queríamos aproveitar o dia, o guia da agência Omega (no posto) sugeriu um passeio particular e pagamos quase o triplo do convencional. Saímos por volta das 16h30min para os Grandes Lençóis. A ida foi animada, atravessando o Rio Preguiça de balsa e pulando firme no areião. Na ida, tirei foto de uma casa branca, com um cajueiro na frente (aguardem!!!).  A Hilux (antiguinha) fez uns estalos na ida.



Casa com cajueiro:

Um pouco de areião:


 Chegamos aos Lençóis no por do sol, subimos nas dunas, mas as famosas lagoas estão completamente secas nessa época (dizem que o ideal é de maio a julho). Mesmo assim, a vista é linda. Os Grandes Lençóis ocupam uma área de 155 mil hectares.



Nem caminhamos nas dunas para não abusar dos estalos no cardã (segundo o Comandante) e para não voltarmos por último, só que as toyotas seguiram outro caminho (são vários caminhos e um areião intenso para se chegar aos Lençóis, transformando os 15 km em quase 40 minutos de sacolejos), com direito a travessia de rio. Começando a anoitecer, a Hilux perdeu a tração dianteira e começou a atolar. O Comandante ajudou o motorista, Índio (que precisava de umas aulas com a turma do Clube do Jipe), e conseguimos desatolar umas dez vezes, até que não teve jeito pois atolou em um areião.... O Guinho chorando, todos fazendo oração... Eu queria ficar no carro até o dia seguinte e o Rô achou que seria melhor descer e caminhar. Lanterna de cabeça e meia garrafa d´água, seguimos caminhando no areião. Segundo o Índio, o rio estava bem perto e, depois, havia uma casa. Caminhamos por uns 20 minutos até o rio, atravessamos uma pinguela e, após uns 500 metros, a primeira casa. Sem sinal de celular e sem informações sobre quem poderia nos resgatar.... Fomos até a segunda casa: agora, sim, aquela mesma que eu fotografei de dia. A d. Maria e o Sr. Alberto trouxeram cadeiras e tentamos contato com Barreirinhas, só que o motorista não tinha telefone de alguém para nos buscar, totalmente desprevenido. Como o celular só estava pegava emergência, liguei no 190, me identificar e solicitei ajuda. Há tempos, não via um céu tão estrelado. A luz natural da lua era suficiente para afastar a escuridão. Achar uma família acolhedora no meio do quase nada já deu alívio. Eles moram no local (Cedro) há 22 anos, sem energia elétrica, e não conhecem os Lençóis. Como várias casas do caminho, na sala não tem sofás e sim redes. Depois de aproximadamente meia hora, a D. Maria disse que estava rebombando um carro de um lado da estrada, só que o socorro deveria chegar do outro. Uns 10 minutos depois, passou uma F 250, que nos ajudou. Estava preocupada de cruzar com o “resgate”, o que não aconteceu e soubemos que a polícia não costuma atender ocorrências nem na cidade...
 
A mesma casa, com o cajueiro e os simpáticos moradores:
 
 
 
Conhecemos Alfonso, Virlene, Renata e Diego, Michele e Pablo e Yasmin. Pablo cedeu seu lugar na camionete e foi na caçamba, pulando com o Rô e o Índio no areião. No caminho, conversamos e ficamos muito gratos pelo resgate. Eles estavam voltando de Atins e, por Deus, passaram por aquele lugar, naquela hora, dispondo-se a parar e levar mais três pessoas.


Eles são donos da Tropical Adventure expedições (98-33491987), única agência da cidade com ISO, junto ao posto BR, ao lado da duna, bem no centro. Marcamos o passeio de lancha para amanhã.

A natureza tem essas coisas, demonstrando que nada somos neste mundão sem fé, sem companheirismo e sem Deus no coração. Recebemos ajuda na hora certa e conhecemos muitas pessoas legais. A d. Maria já tinha oferecido a sala da casa para dormirmos... Quando perguntei como ela faz compras ou vai para a cidade, ela respondeu que vai a pé. São quase três horas de caminhada na areia!!! Serve para valorizar as facilidades e acesso a tanta coisa que a gente tem.  

Para acalentar a “barrigucha”, havíamos encomendado uma galinha caipira, com arroz e pirão de parida (galinha gorda), no restaurante do posto, comandado pelo Goulart. Delícia!!
Caraca, véio. Hoje foi survive!!!!

Um comentário:

  1. hahahaha......aff.....eu heim????
    Muito lindo,mas eu pularia esta parte. Tia Pu

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