terça-feira, 10 de janeiro de 2012

14º dia - Rota das Emoções off road

03.01.12 – Rota das Emoções – Lençóis-Delta-Jeri
Esclarecimento: a 1ª vez em uma Lan House!! Estamos em Jeri desde sábado e a internet aqui é bem difícil. Fui salvado os textos no Word e vou tentar publicar pelos dias. Talvez precise ir baixando as fotos gradativamente (tentei pedir ou comprar senha wi fi em várias pousadas, mas cansei de levar nãos...)
Hoje: Tutóia
Ontem a noite, o dono do Posto Omega, Aldo, cedeu espaço e a internet para atualizar o blog. Após outra noite no posto, fomos para Tutóia, pela terra, óbvio. Haviam falado que não dava para ir sem guia e só transitavam veículos 4x4. Achamos que era exagero, mas melhor não arriscar. O guia Domingos, da Tropical Adventure (que oferece um serviço diferenciado), indicou o irmão, Fábio, para nos guiar de moto pela areia (cuidado, pois há muitos guias na cidade e os preços são parecidos). O número de motos POP é impressionante (sem placas e sem retrovisores); disseram que há até rally... O Rô já está louco por uma...
Saímos às 9h00 e, com o odômetro marcando 429.146, pegamos a terra, ou melhor, a areia. A maior parte da estrada é ampla e circulam as famosas jardineiras, de toyotas, e algumas motos; em alguns trechos, há estreitamento, com galhadas e erosões. Nossa casinha ficou bem marcada.


O areião é bravo mesmo e a areia fina e solta torna o trecho mais difícil que o Jalapão. Graças à proteção divina e à experiência do Rô em 4x4, ficamos no “quase” atolar algumas vezes. Estava até achando exagero seguir um guia quando começaram as bifurcações e a estrada principal parecia ser a outra... Passamos por porteiras e mata-burros estreitos, pontes de madeira e alguns povoados.
Por esses lados, a vida se desenvolve ao longo dos rios, como as antigas civilizações. Neles, as pessoas se banham, lavam as roupas, os animais e suprem a vida. As vivendas são muito simples, a maioria com estrutura de galhos e barro, cobertura de palmeira, principalmente carnaúba (diz-se que dura até 12 anos, não molha nem dá insetos). Da estrada, dá para ver a simplicidade na vida das pessoas e as redes penduradas (muitos não tem sofás ou camas). Por aqui, o Programa Luz para Todos trouxe energia e, à frente das redes, um aparelho de TV. Nos povoados, nem sempre há igrejas e a maior parte das que vimos é da Assembléia de Deus. Não faltam bares e campos de futebol. Em um povoado, tinha anúncio de corrida de jumento!
No meio do caminho, passamos pelo rio Cardosa. A água cristalina assume coloração verde esmeralda e é uma joia aos olhos. O Guinho aproveitou para limpar a carinha... As crianças se aproximaram, curiosas. Em Barreirinhas, há passeios que descem com o rio com boias.

Banheiro ecológico (é só um tapume, sem nada dentro. Depois de conhecer um, passamos a observar e vimos que é comum no MA):


Após o rio, os turistas somem e avistamos poucas toyotas levando a população (malas, galinhas e até freezer na cobertura) e a estrada fica mais batida. Quando parece que a areia acabou, mais uns quase.... 
Casas comuns no interior do MA:


As pessoas esperaram o caminhão passar, no mesmo lugar:


Um pouco da vida no rio:



Bem aqui, que parecia estar mais tranquilo, o Rô se distraiu ao brincar com um Corintiano e quase ficamos:

Campos, não faltam:


Deparar-se com um asfalto impecável parece ilusão de ótica. Ao meio dia, marcando 429.277 km, acabou a terra e nos despedimos do Fábio, que falou ter imaginado que chegaríamos ao asfalto por volta das 15 ou 16h00...



Pegando o asfalto, de um lado chega-se a Paulino Neves, do outro, Tutóia, passando por rios e povoados.

Tutóia fica no Delta das Américas – aqui, eles não gostam de ouvir Delta do Parnaíba, pois de 70 a 80% do Delta fica no Maranhão. Há muitas histórias sobre a cidade e o nome veio de Tróia, que, segundo explicaram, na linguagem indígena, significa “água boa”. Os franceses chegaram pelo canal e também há relatos de que os fenícios entraram por aqui... A maioria sobrevive da pesca e os camarões daqui são famosos: após salgados e secos, são despachados (estamos levando uma amostra!!). A vida depende das condições da maré.
Atravessamos a cidade até chegar à beira mar, bem perto do novíssimo Santuário de São Pedro, protetor dos pescadores. Ao lado, fica a barraca do Caravela. Camarão seco e salgado, que comem com casca, perninha e tudo, peixe serra, com farinha (dura, como em Manaus), bastante água de coco e cerveja gelada. Conhecemos o Caravela, que tem 64 anos, está aqui há mais de 20 e é uma disposição só, e o Laranja, igualmente atencioso, que compra camarões, salga e vende.
Nosso acampamento atual tirou a vontade de levantar poeira: ao lado da barraca, no meio dos coqueiros, pé na areia, com água e energia cedidos pelo Caravela. Aproveitamos para dar uma boa limpada na casa, pegar uma praia, andar de bike.



O jantar, na barraca, foi à base de peixe e caranguejos, que o Laranja ensinou a comer direito. O Guinho fez farofa de banana, o Rô, arroz japonês e todo mundo fez toc-toc, sujou as mãos e lambeu os pelinho, tudo ao som da música “bregueta” do Caravela (definição do Laranja).  O Chico, vigia do Santo, juntou-se ao grupo e foram altas histórias. O Guinho assou marsmallon com as crianças da praia e ficou procurando insetos para tostar...

Fervendo caranguejos:


Um pouco da praia da Barra, em Tutóia:


Até os adultos quiseram conhecer o marshmallow: 
Ai, que vida dura!!

Um comentário:

  1. Na página do 14 dia de 2012, do livro "Os Expedionários", estou realmente encantada em estar acompanhando esta viagem que envolve e me faz entrar dentro desta aventura. E dá aquela curiosidade pra ver fotos e acompanhar a história do dia seguinte.
    Amei seu relato, tá ficando boa demais....
    É só ORGULHO!!!
    bj.....tia Pu.

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